• Larissa Shanti

Fogo

Muitas vezes esquecemos que dentro de nós temos esse fogo. Essa chama que nos move, que aquece. Estamos tão presos a conceitos ou ideias já formadas, que acabamos nos deixando levar por elas, acreditando no que dizem, acreditando no medo, invisível, coletivo de algo. Acreditando que fogo é sinônimo de raiva, que fogo machuca, queima, que o fogo deve ser temido e não amado. Esquecendo desse calor interno, dessa chama que nos trás a força para começar algo novo e a coragem para dar fim ao velho. O fogo abre espaço, transforma, nada mais é que nosso próprio calor.


Lá no fundo há essa chama, apagada pelo caos interno, pela bagunça externa. Essa chama nos faz crescer, nos traz a vida. Por muito tempo esqueci essa chama, apagada pelo medo, pela minha própria crença de que o fogo é o sinônimo do ódio. Por muito tempo acreditei que esse fogo deveria ser apagado. Eu mesma apaguei esse fogo dentro de mim, tirando aquilo que queimava ardente e me motivava a viver, a crescer. E quando temi que, se me expusesse, seria julgada tirei a liberdade desse fogo, e me prendi.


O fogo para mim é um símbolo para essa paixão ardente, para esse calor, para isso que me motiva. E esse fogo não deve ser tímido, deve ser liberto. Aceito esse fogo, aceito ser impulsiva, apaixonada pela vida. Aceito ser ardente, assim como volátil em um fluxo terreno. Às vezes ficamos tão presos naquilo que já acreditamos, naquilo que já criamos como nossa verdade, que esquecemos que há muito mais, há milhares de camadas escondidas dentro e milhares de mistérios fora. Às vezes, em meio ao caos, esquecemos que, na verdade, somos o que somos e ainda não nos conhecemos por inteiro, não nos aceitamos por completo.




Olho para o fogo e reconheço uma parte de mim refletida nos tons quentes, observo o fogo e me vejo. Reconheço meu próprio ser naquilo. E sei que nesse encontro entre meu interno e o externo há um laço inquebrável, pois sou aquilo que sinto, sou aquilo que vejo, sou aquilo que me permito ser.

Às vezes é preciso criar laços com algo externo para descobrir mais do interno. Às vezes precisamos observar o mundo e o que sentimos dele para nos compreendermos. Às vezes precisamos aprender a nos libertar das crenças, das ideias e ideais para abrirmos espaço para o novo, para a vida dentro de cada um poder florescer.


Fogo. Sim, permita-se ser chama.


Escrevi esse texto, pois tenho uma ligação muito forte com o ar e o fogo. E vejo que, mesmo assim, por muito tempo tive um preconceito, sutil, mas real, em relação ao significado desses elementos relacionados com a personalidade. Vejo que hoje em dia as pessoas tem uma profunda relação com os signos. Acho isso muito bonito, mas vejo também pessoas criando um preconceito com pequenos detalhes relacionados à isso. Muitas vezes não querendo se aproximar de alguém, pois esse alguém é de fogo, então deve ser muito esquentado, bravo... ou aquela pessoa é de ar então deve ser avoada... Acredito nessas forças, porém entristece-me ver que há um preconceito externo e interno em relação a isso. Não deixe de criar relações com o mundo, com si mesma, com a vida, por causa de uma ideia ou medo.


Permita-se ser aquilo que queres ser. Permita o outro ser aquilo que ele é.

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© Criado por Larissa Shanti

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