• Larissa Shanti

Existir

Uma vez me disseram que existir é sobreviver a escolhas injustas. Olho para o mundo, a forma como o fluxo de sentimentos, emoções e pensamentos fluem pela terra. Carregados de peso, arrependimentos, expectativas e risos. Vejo o homem perdido dentro, perdido em sua própria completude. Perdido no todo, nesse universo de imensa sutileza. Essa sutileza do interior, do exterior. Essa sutileza no contato do ser com o mundo. Vejo o homem em meio aos desastres e as guerras. Guerras criadas por ele mesmo, guerras criadas por essa raiva acumulada pela cobrança de não ser aquilo que acredita ser. Guerras criadas pelo desentendimento, em uma falta de reconhecimento desse ciclo, onde todos nos encontramos juntos. Uma competição externa por quem contém o saber, quando, na verdade, dentro falta o próprio reconhecimento do aprendizado. Observo o homem preso na dificuldade de se sentir completo, de se sentir presente, de estar presente. E nessa falta ele procura a felicidade momentânea, instantânea. Para assim sentir-se realizado. Esquecendo que a vida é um processo, que a felicidade também é resultado da conquista da liberdade interna. A liberdade que traz as escolhas. Para mim, existir não é sobreviver a escolhas injustas. Existir é tomar as próprias escolhas. E, quando tomamos essas escolhas, vemos que aquilo que acreditamos ser injusto é apenas uma criação da mente, pois na verdade todas as escolhas são condicionadas de dentro. Vejo então que tudo que observo no mundo na verdade observo, também, em meu próprio ser. O sentimento de incompletude que separa meu ser do presente, que não me permite existir. Porém escolho existir, escolho viver, escolho estar aqui e reconheço meu ser no mundo, como parte do mundo. A cobrança interna por ser responsável por tudo e por todos ao meu redor, faz com que eu me diminua em uma tentativa de abrir espaço para outros. Esquecendo meu próprio espaço, esquecendo meu próprio ser. E nesse meio surge uma guerra interna, pois sei que não estou alcançando meu potencial. A sensação de perda de tempo por não fazer aquilo que me traz liberdade. Escolho não me diminuir, escolho ser, escolho e reconheço-me no mundo como o ser único e diferente que sou. Não há problema em ser diferente, não há problema em ser. Reconheço aquilo que aprendi nesse processo, e agradeço a ajuda que tive para tomar essa decisão de olhar para dentro e ver que, na verdade, não há problema em ser meu eu em toda sua sutileza, em toda sua força, em sua verdade. Vejo o mundo, observo o mundo, existo no mundo. Existo, escolho existir.


Vejo o mundo, observo o mundo, existo no mundo. Existo, escolho existir.

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© Criado por Larissa Shanti

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