• Larissa Shanti

O Louco (parte 2)

–Chá?

Ele deu um pulo para trás, com o susto.

–Sabe –Disse a voz –eles não são animais. Você tem direito a uma coisa, qualquer coisa. Eu fiquei entre o charuto e o chá, mas acho que não foi uma má escolha.

–Quem é você? –Perguntou Aron.

–Que rude de minha parte! Deixe-me apresentar-me. Meu nome é... podes me chamar de chapeleiro.

À frente de sua face, fitava-o de perto o louco, chapeleiro como havia se denominado. Sorrindo, mais uma vez, olhou para Aron e disse.

–Chá?

Ofereceu a ele então uma segunda xícara repleta de chá quente, enquanto bebericava o seu.

–Se você tem direito de pedir qualquer coisa para esses homens, porque você pediu chá? –“Perguntou Aron com cara de tacho, ou talvez abismado, não sei”.

–De que outro jeito eu receberia meu honrado convidado? –Disse o chapeleiro rindo.

Confuso ele não sabia o que falar. “Afinal, o que aquele louco queria dizer com convidado?” Tirando o relógio do bolso, o louco, encheu rapidamente sua xícara com mais chá.

–Beba, rápido, a hora do chá esta quase terminada. Vamos.

Ele começou a beber o chá, quando o chapeleiro virou sua xícara sobre Aron.

–O que você esta fazendo. –Gritou ele, furioso.

–Isso, pelo jeito você entendeu o plano. –Respondeu o louco baixinho.

–O plano? Que plano?

–O plano, imbecil. Você acha o quê, que sou um lunático para meter-lhe em uma enrascada sem ter um plano? Posso ser louco, mas não lunático.

“Obviamente ele não entendeu o significado de lunático... Continuando”.

–Agora vamos sair daqui.

“Depois dessa afirmação do chapeleiro, a história fica muito confusa. Vou tentar fazer o meu melhor para contá-la”.

Quando os guardas chegaram perto da cela, o chapeleiro pulou em cima do Aron. Foi uma confusão de armas e homens nervosos. E quando ele viu, a luz da rua ofuscava seus olhos. Eles foram jogados no meio do acampamento. Havia no mínimo uma centena de soldados ocupando aquele lugar. Em torno de cinquenta pessoas estavam amarradas juntas em uma tenda aberta perto deles.

O louco levantou-se devagar cuspindo poeira. Ele olhou para os soldados aterrorizados e riu. Enquanto ele ria e apontava para eles parecendo um maníaco, devagar chegou ao lado de Aron e lhe entregou três pequenos objetos: uma faca, um fósforo e um apito.

“Pelo jeito ele estava mais para inteligente do que para louco”.

“Não sei como, mas o louco e Aron se conectaram com um olhar. E a confusão começou”. O chapeleiro pulou em cima dos guardas. Aron viu perto dele um barril cheio de gasolina.

–Que cara esperto! – Disse Aron, estupefato.


floresta de chachins Larissa Shanti

Logo em seguida a gasolina estava pegando fogo. Um carro explodiu de repente. As tendas começaram a desabar. Eles sabiam que tinham pouco tempo antes dos guardas chegarem. Correram para soltar os prisioneiros. Era uma confusão de guardas raivosos correndo pelas tendas, tentando apagar o fogo. Foi graças a essa confusão que eles conseguiram passar despercebidos pelos guardas. Começaram a cortar as amarras das pessoas quando soldados começaram a chegar.

–O que faremos agora? –Perguntou Aron.

O chapeleiro começou a rir.

–Nós lidamos com eles. Não podemos nos atrasar está quase na hora do reencontro.

“Aron viu a loucura nos olhos dele. Ou pelo menos achou que viu. Contudo não deu tempo de lhe fazer mais perguntas. Ele foi agarrado pela mão e puxado para a luta”.

Foi intenso. Quanto mais homens caiam, mais homens chegavam, e mais machucados eles ficavam. Eles estavam quase caindo de cansaço, desistindo. Não podiam parar. De repente o líder estava lutando contra o louco. “Foi uma das batalhas mais estranhas de que já ouvi falar”. Durante toda a luta o chapeleiro não tirou uma vez seu chapéu. O líder caiu a seus pés inconsciente, e com isso todos os outros guardas se renderam.

Aron e o chapeleiro gritaram de alegria. “Agora imagino que você esteja se perguntando, e o apito?”

Assim que eles terminaram de comemorar, Aron soou o apito. Helicópteros surgiram no céu. A polícia os cercou e os soldados foram levados. O sábio louco chapeleiro sumiu e nunca mais foi encontrado. A única coisa que ainda sabemos é que Aron não aceitou a honra que a polícia quis lhe dar. Ele dizia que tudo aquilo havia sido obra do chapeleiro e apenas dele.

Hoje ele caminha pelo mundo com Alex, que enfim regressou, à procura de seu sábio louco amigo.

“Espero que ele chegue logo, afinal está quase na hora do chá”.

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© Criado por Larissa Shanti

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