• Larissa Shanti

O sutil

As vezes paro para pensar em como minha família me deu a chance de ver a vida de forma muito ampla. Porém nem sempre vejo o tanto que minha família me ensina. Desde pequena viajando de mochilão buscávamos um entendimento sobre aquilo que há de mais sutil na vida, aquilo que nos conecta como seres, buscávamos essa visão de mundo. Hoje vejo o quanto já construímos nesse caminho, o centro de vivencias Florescer foi o fruto dessa jornada, a busca por poder ajudar mais e mais pessoas a encontrarem sua própria visão de mundo. Escrevo para mim, principalmente, escrevo para que eu cresça, mas escrevo também em uma busca por poder ajudar pessoas, poder contar suas histórias. É nesse pensamento que decidi fazer uma serie de textos falando um pouco sobre esse sutil que tanto tempo procuramos. Vou falar também um pouco sobre a espiritualidade, que é uma das formas de se conectar com esse sutil. Espero que gostem dos textos e espero que isso possa ajudar em algum sentido. Gratidão pelo carinho, Aho.




Visão de mundo:

O lapso entre a matéria e a inexistência, um conjunto de peças que se unem, dentre elas uma fissura, um naco de espaço. Como o sol que encosta na sombra, criando uma linha imaginária do termino, um limite à uma forma. A graça invade o corpo cansado que pensa, que sente, que vive, que é, o mesmo corpo delimitado pelo imaginário. O mesmo corpo que em uma dança constante caminha entre esse lapso, carregado pela própria crença desse limite que em ato inconsciente escolheu. Esse limite que o saber carrega como verdade, limitado a sentimentos explicáveis, de fácil compreensão, o limite que vemos no horizonte. Porém no esquecimento da memória fechamos os olhos, e no espaço escuro entre a matéria e a inexistência vemos muito mais longe que aquela linha fixa de horizonte. No escuro dos olhos fechados uma nova visão de vida. Na fissura entre o ser e o estar descubro um todo. Como a onda que quebra na praia, sempre e constantemente indo e voltando serena, em um fluxo constante ela toca a areia, e entre esse espaço um laço se cria, esse laço de conexão que constrói esse fluxo, e, mesmo revolto, o mar sempre quebra na praia. Esse laço que vejo de olhos fechados, esse laço invisível, mas vivo. Esse laço que corre em um ritmo constante entre a terra e o céu, trazendo água para o solo seco, esse laço que sempre traz as abelhas, às flores, para gerarem frutos, que corre no vento a levantar o fogo que renasce. Esse laço que preenche o espaço entre a matéria e a inexistência. Como uma dança que conecta a cada pedaço de matéria a liberdade da ausência da definição do que é ser. Vejo o sorriso que de rosto em rosto cresce, espalhado pelo fluxo do sentimento que se cria, esse sentimento que conecta, e nesse espaço entre um coração e outro a profunda conexão se cria, sem qualquer definição, uma profundidade além de sentimentos comuns explicáveis. O espaço para ser muito mais que corpo, o espaço para serem muito mais que a definição de individualidade. Como o ressoar das batidas de um coração, que em uníssono vibram, conectadas entre si, como um único som, não mais corpo, não mais o som de milhares de retumbares, apenas um som. E quando o sol tímido encosta na sombra, esta tímida deixa de ser apenas sombra e se torna um conjunto de tons que carregam consigo esse laço, na existência de cada um a existência do outro. Essa energia que nessa fissura entre um corpo e outro conecta-nos, tirando qualquer crença de limite, tornando-nos muito maiores, muito além que matéria e inexistência, tornando-nos parte de um fluxo constante de profundos laços de vida, trazendo com isso o mesmo ressoar, ainda um corpo, ainda um individuo, mas muito mais que isso, um laço, uma conexão de vida e por fim a energia dessas conexões que vibram em mim.

15 visualizações

© Criado por Larissa Shanti

  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone YouTube
  • Preto Ícone Facebook
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Pinterest
  • Preto Ícone Deezer
  • Preto Ícone iTunes