• Larissa Shanti

Reflexos de uma mente.

Atualizado: 24 de Set de 2019

Este texto é uma carta que há um tempo escrevi para uma amiga, mas, na verdade, escrevi-a para mim, para apaziguar meu coração e lembrar-me que não a espaço para o desespero.


Faz um tempo que não escrevo. Faz um tempo que meus pensamentos deixaram de ser coerentes com as páginas em branco. Tudo se torna apenas mais uma mancha de tinta, reflexo de uma mente adoecida. Disseste-me "o que faço eu, jovem, ainda não afetada pelo sulco do tempo na pele, vendo o mundo com as lentes de uma mente repleta de medos de uma vida muito maior a que possuo? Penso e entro em colapso. Olho para o mundo, vejo a repetição na história humana, as linhas de dores deixadas para trás ressurgindo, trazida pelo homem incapaz de ver seus próprios atos." Antes de responder-te, compartilho meus medos. Vejo o humano, novo, pequeno em consciência, alienado pelos ideais medíocres de uma sociedade consumidora e destruidora das diversidades de seres emocionais pensantes. Vejo que a solidão se tornou algo inigualável, devastadora daqueles presos à imagem equivocada de uma euforia grupal. A solidão se tornou algo desprezível, quando antes nada mais era que a demonstração de cada ser único, de aceitação própria e a criação de sua própria filosofia de vida. Veio a sociedade, com ela, a criação de uma visão de felicidade conjunta e a perda da felicidade pessoal. Perdemos a habilidade de nos reconhecermos como indivíduos, passamos a ser conhecidos como grupos, etnias, nações. Desapossamos da capacidade de comunicação, palavras deixaram de ser ditas e deixaram de ter significância. As conversas se tornaram cada vez mais inexistentes dentro do grupo, e a solidão continua sendo motivo de medo e depressão. O indivíduo esta incapacitado de demonstrar a verdade da profundeza de seus sentimentos, sendo julgado por ele mesmo como fraco.


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A tecnologia nos trouxe a informação e veio facilitar o nosso acesso ao conhecimento racional. Veio, também, facilitar a comunicação a distância, entretanto viemos a fazer desta uma maldição. As conversas não são mais ditas em brando tom, o conhecimento não é mais um desafio a ser meticulosamente esmiuçado. A verdade e a mentira ou são extremamente polarizadas, ou impossíveis de serem diferenciadas. E, sim, o homem não é mais capaz de ver seus próprios atos. O homem esta cego para o colapso grupal, não vê mais a raiva sendo abatida, como ondas um sobre os outros, e a morte sendo carregada na ponta de uma arma de fogo. O indivíduo não vê mais o profundo buraco negro dentro de si, destruindo o que lhe restava de uma personalidade única. Mas não percas a esperança, pois esta é a única que nos mantém ligadas à lucidez. Por mais que o homem esteja perdido dentro de si, não nos cabe desacreditar que este não acordará para esta nova realidade em que nos encontramos. Não nos cabe desesperar em um momento deste, temos que nos manter fortes. Espero que o susto da explosão terrorista do homem apenas lhe de mais um motivo para lutar pela liberdade individual. E nunca se esqueça: Carpe diem, faça sua vida extraordinária.

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© Criado por Larissa Shanti

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