• Larissa Shanti

Talvez um pedaço de sonho

Atualizado: Fev 18

Em meio à plenitude do silêncio os fachos de luz tocam, timidamente, as centenárias árvores. As montanhas cantam a música serena da vida que floresce. E nosso coração de criança, esquecido, sente-se em casa. A vida virou um caos. A desarmonia constante entre os sons externos e o retumbar do peito. A falta de presença. Segundos, minutos, nada mais que uma criação humana, mas o tempo, o tempo natural, este passa como um relance de uma vida esquecida. O trabalho se tornou nada mais que uma obrigação, um desespero profundo que cresce em nossas entranhas, que adoece o corpo, que fere o nosso desejo por liberdade. Contudo dentro, lá dentro existe um lugar onde a realidade e a imaginação não se diferem. Lá no fundo uma criança ri das pétalas de dente de leão levadas pelo vento, as pétalas que carregam seus desejos, aquele sentimento genuíno, sem qualquer limitação criada pelo medo. O sentimento puro, sem a necessidade de conquista, sem o medo de não conseguir chegar lá, sem a preocupação irreal criada por conceitos sociais. Em algum lugar escondido dentro de nós vivemos, vivemos na mente, nos sonhos, pois temos medos das consequências de estramos vivos, presentes, nesse mundo que machuca, nos faz cair e ter que nos levantar. Vivemos na memória, no desejo de viver em um lugar onde o céu não tem limite, a terra é coberta do desconhecido verde, e o horizonte...



O horizonte que te traz a liberdade, que te faz querer ser muito mais do que a mente limitada acredita que podemos ser. Enquanto perdidos no espaço entre as muradas de pedra, presos em uma rotina, esquecemos da sensação de correr na chuva, de deixar por um momento o facho da luz do sol despertar o calor da pele, esquecemos da sensação da sola dos pés no chão. Enquanto perdidos esquecemos daquilo que nos fazia vivos na infância, a capacidade de fazer da vida um sonho. Porém sonhamos, agora falta permitir-se viver um sonho, falta deixar os detalhes da vida serem levados pela sua imaginação. Falta permitir-se fazer da vida uma beleza muito maior que física, uma beleza além dos sentimentos, a beleza que vem do nosso próprio olhar, essa beleza que vemos no mundo, esse sonhar. Eu acredito neste sonhar, acredito no brilho do olhar de cada um, esse brilho que não conseguimos esconder, esse brilho que reflete quem somos e o que vemos do mundo. Eu acredito nesse brilho do sonhar do seu olhar.

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© Criado por Larissa Shanti

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